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Brasil ratifica Acordo de Paris

O governo brasileiro oficializou ontem (12/9), em cerimônia no Palácio do Planalto, a ratificação do Acordo de Paris. Estavam presentes, além do presidente, Michel Temer, o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e o das Relações Exteriores, José Serra.

O Brasil é o terceiro país no ranking dos dez maiores emissores do mundo a ratificar o Acordo. Os dois maiores emissores, China e Estados Unidos, já haviam ratificado o Acordo no último dia 3/9.

Na cerimônia, Temer afirmou: “A questão climática não é assunto de um governo ou de outro. É uma questão de Estado”. Leia mais no site da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, falou, representando a sociedade civil. “Trabalhar pela meta de um grau e meio significa tirar a mudança climática do escaninho das políticas ambientais e torná-la parte integrante do planejamento do desenvolvimento nacional.”

Como é difícil falar sobre clima

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“Especialistas concordam que falar de forma adequada sobre as mudanças climáticas é um desa o tão grande quanto enfrentar o problema”. A frase de Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, pode soar exagerada para quem se preocupa com os efeitos do aquecimento global. Mas para os comunicadores, ativistas e outros interessados presentes ao evento “Precisamos Falar sobre o Clima”, promovido pelo OC e pelo Arapyaú na última sexta, 14 de agosto, em São Paulo, ela ajudou a explicar um sentimento experimentado por muitos: falar sobre clima de uma maneira que o cidadão entenda – e se engaje – é muito, muito difícil.

O evento, que aconteceu no auditório da FGV e teve TRANSMISSÃO ONLINE é parte de um projeto sobre comunicação e clima que está sendo conduzido este ano pelo Arapyaú. Nele foram apresentados os resultados da pesquisa feita pelo FrameWorks, um instituto independente, sem  ns lucrativos, fundado em 1999 nos Estados Unidos, e que se tornou conhecido por sua metodologia capaz de facilitar a compreensão de questões espinhosas pela população.

O estudo do FrameWorks analisou a distância entre o entendimento que os especialistas têm do assunto e a compreensão da sociedade. E apontou alguns jeitos de pensar – os chamados modelos culturais, atalhos cognitivos criados por nossas experiências anteriores – que devem ser potencializados nas comunicações sobre clima e aqueles que devem ser abandonados ou deixados para segundo plano.

O Blog do Planeta publicou uma reportagem bacana sobre os RESULTADOS DA PESQUISA. Alexandre Mansur, editor-executivo da revista Época e editor do blog, foi um dos que reverberaram a fala de Rittl no evento. “Nos últimos 23 anos eu estou tentando comunicar clima para a população, mas apesar de vários avanços, é sempre frustrante perceber que quanto mais você fala, mais a confusão aumenta”.

Para o Arapyaú, esta foi somente a primeira etapa do projeto. Os próximos passos incluem testar as recomendações do FrameWorks na prática, em conjunto com os parceiros que fazem comunicação sobre clima, e viabilizar a realização de uma etapa quantitativa da pesquisa.

No começo de outubro, um relatório com uma estratégia de comunicação será disponibilizado no site do Arapyaú. Ela será compartilhada tanto com pro ssionais da comunicação quanto com organizações que trabalham com clima e com todos os interessados.

*Na imprensa*

* População sabe que mudanças climáticas atingem os setores mais vulneráveis – Rádio CBN – Programa Cidades Sustentáveis

* Jornal da Cultura

* Como Explicar Mudanças Climáticas de Forma Poderosa – Blog do Planeta

* Transmissão online

A apresentação PPT que foi mostrada no evento

 

 

 

 

 

 

Vamos falar sobre mudanças climáticas

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Comunicar mudanças climáticas de um jeito que sensibilize e mobilize as pessoas é um desafio e tanto, não é? Como falar desse tema para os brasileiros? Queremos conversar sobre isso com você. Venha conhecer os resultados de uma pesquisa inédita do FrameWorks Institute sobre mudanças climáticas e participar do workshop.

O FrameWorks é um instituto norte-americano especializado em criar narrativas acessíveis para temas complexos a partir de pesquisas culturais. Neste estudo, investigou como os brasileiros entendem as mudanças climáticas e propõe caminhos para esta comunicação desafiadora.

As vagas são limitadas. Confirme sua presença respondendo o formulário neste link.
Quando: 14 de agosto (sexta-feira), das 9h às 12h.
Onde: FGV – auditório Itaú. Avenida Nove de Julho, 2029.
Ainda há vagas!

 

 

Unidos pelo clima e pela Terra

Lançamento coalizão

Na semana passada aconteceu, em São Paulo, o lançamento de um movimento multissetorial do qual o Arapyaú faz parte: a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura. Empresas privadas e ONGs se uniram para dizer que concordam com as 17 propostas que estão no documento da Coalizão Brasil.

A Coalizão surgiu em dezembro do ano passado com o objetivo de fazer propostas de mudanças na maneira como produzimos e exploramos nossas fontes naturais para conter as alterações do clima no planeta. A ideia é promover uma economia sustentável e de baixo carbono. E o que isso significa? Isso quer dizer que é preciso, entre outras ações, reduzir as emissões de gases de efeito estufa, restaurar áreas de preservação, eliminar o desmatamento e a comercialização de produtos vindos de exploração ilegal.

Mais de 300 pessoas estavam presentes no lançamento da iniciativa e cerca de 50 instituições (como Instituto Ethos, Sociedade Rural Brasileira, Fibria, Suzano, Natura, Grupo O Boticário, Sociedade Rural Brasileira e SOS Mata Atlântica) já assinaram a carta-compromisso em que afirmam estarem prontas para fazer grandes mudanças em suas cadeias produtivas para conseguir, entre outras ambições, fazer com que o Brasil emita menos gases de efeito estufa do que a média global.

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A economia de baixo carbono dá uma vantagem comparativa para os empresários, em alguns anos. Com empresas e ONGs compartilhando objetivos e valores, será possível construir uma economia agrícola e florestal forte, pujante e integrada às questões socioambientais.

A pressa de tratar com esse tema tem explicação: em dezembro deste ano, acontece, em Paris, a COP21, a mais importante conferência do clima do mundo. Lá, os 196 países integrantes da ONU vão tentar chegar a um consenso sobre como lidar com as mudanças climáticas. A proposta da Coalizão é fazer com que o Brasil assuma a liderança da economia sustentável.

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* Visão

A Coalizão quer contribuir para:

  • Eliminar o desmatamento e exploração ilegal de florestas no Brasil.
  • Eliminar das cadeias de produção, comercialização e consumo global de produtos oriundos de desmatamento ou exploração ilegal.
  • Ampliar substancialmente o manejo sustentável das florestas nativas e garantir a rastreabilidade e certificação nas compras públicas e privadas de produtos florestais.
  • Aumentar de forma expressiva a participação brasileira no mercado global de produtos florestais e de alimentos.
  • Massificar na agropecuária brasileira as práticas de baixo carbono incluindo: recuperação de pastagens degradadas; integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF) e sistemas agroflorestais (SAF); sistema plantio direto (SPD); fixação biológica de nitrogênio (FBN); aproveitamento de biomassa de resíduos agropecuários; tratamento de dejetos animais e intensificação sustentável da produção.
  • Tornar predominante, na matriz energética nacional, as fontes renováveis e sustentáveis, com vistas a tornar residual a participação de energias fósseis na matriz até 2050.
  • Implementar mecanismos para valorar e remunerar a manutenção e a ampliação dos serviços ecossistêmicos propiciados pelos ecossistemas naturais e florestas, incluindo as boas práticas agrossilvopastoris, para além dos mecanismos de pagamento por carbono, que precisam ser aperfeiçoados e incrementados.
  • Garantir a qualidade, tempestividade e total transparência dos dados da implementação das políticas de clima, floresta e agricultura e seus instrumentos de monitoramento e gestão (por exemplo, Cadastro Ambiental Rural, Programas de Regularização Ambiental, plano de manejo florestal sustentável, financiamento, desmatamento, emissões de gases de efeito estuda).
  • Fortalecer a rede de unidades de conservação em âmbito nacional e a efetiva implementação das unidades de conservação já criadas.
  • Assegurar que a transição para a sustentabilidade e a economia de baixo carbono nas florestas e na agricultura se dê de forma a promover ordenamento fundiário, inclusão, diálogo e proteção social das comunidades que formam a população brasileira, geração de novos empregos, aumento da geração de renda, manutenção e ampliação de direitos, qualificação e requalificação de trabalhadores e produtores rurais

Para conhecer mais sobre a Coalizão e saber quem já assinou a carta-compromisso, acesse: http://www.coalizaobr.com.br.

Confira imagens do dia do lançamento, 24/6/2015:

Leia outras matérias publicadas sobre a Coalizão:

Basta de desenvolvimento às avessas

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Na próxima semana, a cidade de Lima, no Peru, recebe uma rodada da Conferência das Nações Unidades sobre Mudanças Climáticas, a COP20. Essa será mais uma oportunidade para representantes do mundo todo negociarem metas de reduções de emissões de gases de efeito estufa com medidas que atingem diretamente as empresas, a indústria, a agricultura e, claro, a nossa vida.

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Por isso, a última Happy Hour do Arapyaú de 2014 (no dia 24/11) teve como tema as mudanças do clima. Para tratar de um tema tão amplo, convidamos amigos que têm acompanhado o assunto e contribuído para a democratização do tema no país. Vieram: Beto Veríssimo, pesquisador sênior do Imazon; Carlos Rittl, secretário executivo do Observatório do Clima; Oswaldo Lucon, cientista integrante do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas; e Ricardo Baitelo, líder do projeto de energias renováveis do Greenpeace Brasil.

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·         É preciso rever os velhos hábitos de consumo

Começamos o nosso papo com Lucon falando de ciência. Cinco minutos foram o suficiente para Lucon deixar claro que o aquecimento global está evidente, causado pela intervenção humana, e que o grande desafio do momento é conseguir manter o aumento médio da temperatura do planeta em 2ºC. Mas, pra isso, é necessário rever todos os nossos hábitos de consumo. “Se continuarmos agindo do mesmo jeito, essa aumento a temperatura em 20 anos. Seria como estourar a nossa conta bancária”, disse.

·         As emissões aumentam e fingimos que não é problema nosso

Na sequência, foi a vez de Carlos Rittl falar sobre o cenário das negociações internacionais de clima. Boas notícias: a União Europeia vai reduzir as suas emissões em 40% até 2030, em relação a 1990; os EUA e a China firmaram um acordo no qual o país norte-americano se comprometeu a reduzir as suas emissões entre 26% e 28% até 2025 (em relação a 2005) e o país oriental vai atingir o seu pico de emissões até 2030 para então começar a reduzir.

Más notícias: o Observatório do Clima publicou o seu estudo sobre as emissões do Brasil em 2013 e constatou-se que elas aumentaram em 7,8%. Além disso, o governo não tem mostrado priorização no assunto. “O que temos são só compromissos genéricos como ’nós vamos continuar nos esforçando para atingir as nossas metas estabelecidas para 2020’.”  Ou seja, as emissões devem continuar subindo.

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·         Vivemos um desenvolvimento às avessas

O desmatamento é o maior responsável pelas emissões do Brasil, com 37% do total. As emissões de energia estão em segundo lugar, com 30%. Além disso, explicou Ricardo Baitello, os setores da indústria e transporte representam um “cenário pavoroso” com as  termoelétricas chegando com tudo no país e o etanol e biodiesel ainda muito desvalorizados. “A sensação é a de que estamos em um desenvolvimento às avessas”. Baitelo comemorou os avanços do Brasil na área de energias renováveis, como a eólica, que gira o montante de R$30 bilhões por ano, e a solar, que teve o seu primeiro leilão em 2014, está com preços competitivos e tem tudo para crescer cada vez mais no país.

·         Nenhum desmatamento deve ser tolerado

Nos últimos dez anos, o Brasil conseguiu reduzir em 83% o desmatamento da Amazônia e isso puxou para baixo as emissões do país. No entanto, a destruição das florestas voltou a crescer em 2013. Beto Veríssimo disse que está claro que temos que buscar o desmatamento zero. Pra dar certo, é preciso atuar em três frentes: transformar áreas devolutas em áreas protegidas, transformar assentamentos em assentamentos verdes; e associar o desmatamento com a produção agrícola utilizando softwares para acompanhamento.

·         Juntar lé com cré

Os convidados concordaram sobre a importância de desfragmentar, de reunir todos os preocupados com o clima para trabalhar juntos e atingir resultados de impacto. Baitello defendeu uma transformação na maneira como comunicamos a questão para haver mudança de comportamento. “Me perguntam quanto vai custar instalar um painel solar, mas a pergunta deveria ser quanto vão economizar ao longo da vida útil do painel”.

Em 2015 seguiremos com nossos encontros e trocas. Vamos pensar juntos nesses assuntos tão relevantes para o crescimento responsável do Brasil.

E se você perdeu a nossa happy hour sobre clima, não fique triste, gravamos tudinho e colocamos no nosso canal do Youtube .