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“Precisamos resgatar a fraternidade e a cooperação como ideais políticos”, diz Líder RAPS

João Francisco Araújo Maria é Líder RAPS e está fazendo mestrado em Oxford, no Reino Unido. João recebeu uma bolsa de estudos*, fruto de parceria entre o Instituto Arapyaú e a Fundação Lemann. Leia a seguir relato sobre o período que ele está passando fora do Brasil.

Por João Francisco Araújo Maria**

A crise atual no Brasil também expressa o déficit de formação de lideranças nas novas gerações. O Brasil precisa incentivar a formação de quadros baseados em propósito e com capacidade técnica. As marcas da ditadura militar de 1964 se estendem para a Nova República e as novas gerações. Perguntado da baixa qualidade do Congresso, Ulysses Guimarães respondia: “Espere ver o próximo”. Recentemente, ao conversar com um constituinte, ele comentava como cidadãos, ao avistarem no aeroporto uma roda de congressistas do porte de Ulysses Guimarães, Mário Covas, Tancredo Neves, Miguel Arraes, Lula, Fernando Henrique Cardoso, Marcos Freire, Pedro Simon, dentre outros, acenavam de longe com admiração e orgulho. Hoje em dia, parlamentares tiram seu broche de congressista, com vergonha e receio, ao entrarem no avião.

O problema possui uma dimensão política e outra técnica que dialogam. Atualmente, os melhores quadros da minha geração não querem ir para o setor público – seja como políticos ou tecnocratas -, gerando uma seleção adversa no Brasil.  O setor público não consegue atrair nossos melhores quadros como deveria. Por paixão pelo Brasil e vocação pela área pública resolvi trabalhar, inicialmente, no terceiro setor e, posteriormente, como servidor público na carreira de gestor federal (EPPGG). Como ativista e membro da RAPS, me candidatei a deputado distrital nas eleições de 2014 no DF pela Rede Sustentabilidade. Acredito que precisamos reverter essa lógica e sempre me atraiu essa coisa de tentar mudar o mundo.

Passada a eleição e não tendo sido eleito, achei que se abria uma oportunidade para buscar aprofundar minha formação em uma perspectiva técnica e de valores, com um distanciamento que me ajudaria a olhar o Brasil. Acredito que para mudarmos nosso país precisamos unir a dimensão ética e técnica. Nosso déficit é de Política com propósito e de políticas públicas eficientes e efetivas. Achei que o mestrado em políticas públicas (MPP) da Blavatinik School of Government na Universidade de Oxford proporcionava essa formação completa que buscava. Além do ambiente intelectualmente estimulante que uma das principais universidades do mundo proporciona, o caráter internacional do curso me chamou a atenção – somos 117 estudantes de 55 países.

Em uma sociedade globalizada, os problemas possuem semelhanças, fazendo-se necessário um olhar para as melhores práticas e soluções que já existem mundo afora. Além disso, o MPP possui como objetivo desenvolver nos estudantes cinco habilidades principais, que fazem a necessária ponte entre Política e políticas públicas. São elas: possuir foco em evidências, ser um analista crítico, desenvolver excepcionais capacidades comunicativas, trabalhar colaborativamente com seus pares e ser aberto para inovação e novos desafios. Fortalecer essas habilidades era o objetivo transversal dos diversos cursos que tive em áreas como economia, filosofia, ciência política, avaliação de políticas públicas, ética, ciência e políticas públicas, governando na era digital, dentre outros.

O Líder RAPS João Francisco Araújo Maria na Universidade de Oxford, onde cursa mestrado

O Líder RAPS João Francisco Araújo Maria na Universidade de Oxford, onde cursa mestrado

Essa formação não teria sido possível sem a bolsa de estudo e suporte generoso do Instituto Arapyaú, da Fundação Lemann e da RAPS, que me permitem mergulhar nesse universo de possibilidades que a universidade de Oxford proporciona. Com tanta coisa acontecendo no Brasil, difícil foi manter o foco e a concentração aqui. Mas a crise atual servia como um lembrete constante: toda essa formação só faz sentido se for para voltar e ajudar o Brasil a concretizar suas potencialidades.

Acredito que o Brasil possa ser exemplo mundial de desenvolvimento sustentável, inclusivo e colaborativo, apesar da longa estrada a ser trilhada ainda. Percorrer essa estrada é o que me estimula a voltar ao Brasil e me engajar novamente na Política e na área pública. Trarei comigo o conhecimento técnico aprendido em Oxford, sabendo que só o diálogo com os nossos diversos saberes locais poderá gerar respostas efetivas. É esse diálogo com a realidade que fortalece as causas – ativo mais importante para mudar a Política.

É preciso juntar causa e capacidade, ética e técnica, propósito e eficácia. A causa que me moveu a querer aprofundar minha formação é a necessária atualização das nossas instituições políticas e do nosso modelo de desenvolvimento. Frente às exigências colaborativas que a sociedade digital clama, precisamos resgatar a fraternidade e a cooperação como ideais políticos da sociedade em rede do século XXI. Frente ao reconhecimento da insustentabilidade ambiental do atual modelo de desenvolvimento – predatório e excludente de populações tradicionais – faz-se necessário criar incentivos corretos para a construção de uma economia e de uma sociedade sustentável e de baixo carbono.

Meu período de formação durante meus estudos em Oxford estão me ajudando profundamente a consolidar estas causas e a ampliar minhas habilidades técnicas. O mestrado está também me proporcionando conhecimento analítico, ferramentas de gestão modernas, reflexões comparativas internacionais e contato com uma rede de idealistas em todos os cinco continentes. Tudo isso só foi possível pela generosidade e aposta nas novas gerações feita por estas organizações preocupadas com o Brasil, como a RAPS, o Instituto Arapyaú e a Fundação Lemann. Sou imensamente grato por todo o apoio dado. O trabalho dessas organizações ajuda a mudar a visão e as apostas das novas gerações. Com isso, apostam no melhor ativo que o Brasil possui para mudar a si mesmo: sua gente e seu povo.

*Em fevereiro deste ano, o Arapyaú renovou a parceria com a Fundação Lemann para a concessão de uma bolsa de estudos para líderes RAPS em universidades norte-americanas e inglesas no valor de R$ 160 mil. O Líder RAPS João Francisco Araujo Maria foi o primeiro beneficiado. Este ano, a bolsa foi concedida para Juliana Cardoso, engenheira ambiental e mestranda do Global Executive Master of Public Administration pela Universidade de Columbia (Nova York) – School of International and Public Affairs.

**João Francisco é mestre em Ciência Política (UFPE – UNB), professor e servidor público federal de carreira de EPPGG -Gestor. Trabalhou no terceiro setor (Ágere/Advocacy e Cáritas Brasileira) e com políticas públicas diversas. Coordenou o Programa Água para Todos do Governo Federal e trabalhou com populações indígenas isoladas na Funai. É autor do livro “Caminhos para Nova Política”, em que analisa a crise dos partidos políticos. Em 2014 foi candidato a deputado pela Rede Sustentabilidade, ficando entre os 15% mais votados em Brasília. 

Encontro de Formação da Rede de Apoio à Educação

I Encontro de Formação da Rede de Apoio à Educação – RAE do polo Bahia 3

Nos dias 7 e 8 de maio, aconteceu um encontro, promovido pelo Instituto Natura em parceria com Arapyaú, AMURC e UESC, da RAE – Polo Bahia. Trinta e seis municípios que assinaram o Termo de Cooperação Técnica compareceram. Foram mais de 80 presentes (técnicos da educação, secretários municipais de educação, prefeitos e o pró-reitor de extensão da UESC).

Ricardo Gomes, o gerente do programa Bahia, conta um pouco sobre como foi esse evento:

“O I Encontro de Formação da Rede de Apoio à Educação – RAE do polo Bahia contou com 80 técnicos educacionais e com 36 dirigentes municipais de educação, dos 36 municípios das regiões Sul, Baixo Sul e Sudoeste da Bahia, integrantes e convidados da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano – AMURC. Além deles, estiveram presentes representantes da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, da AMURC, da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação – UNDIME e da Fundação Lemann.

O objetivo do encontro foi apresentar os projetos Trilhas, Comunidade de Aprendizagem, Escola Digital, Plano Municipal de Educação, Conviva Educação e Plano de Cargo Carreira e Remuneração. Houve também assessoria para a elaboração e inserção do Plano Municipal de Educação – PME na plataforma Conviva Educação.”

Foto oficial

Líderes RAPS podem ganhar bolsas para estudar no exterior

Universidade de Columbia, em Nova York, é uma das que participam do programa de bolsas

Semana passada nós contamos aqui que as inscrições para ingressar na RAPS estão abertas, lembram? Hoje temos uma ótima notícia para quem já está na RAPS.

Instituto Arapyaú em parceria com a Fundação Lemann está oferecendo bolsas para formação de líderes RAPS no Programa Lemann Fellowship ligado à transformação social. É isso mesmo! Bolsa de estudos parciais para quem for líder RAPS e quiser estudar fora do país no período letivo 2015-2016.

Funciona assim:

Para se candidatar a uma bolsa é preciso primeiro ser admitido em uma das universidades e escolas que participam do programa, cumprindo todo o processo regular de candidatura, definido por cada instituição de ensino (para saber mais sobre as universidades e prazos, veja lista no final deste texto).

Para receber uma bolsa, o candidato deverá:

  1. ser um líder RAPS, que queira exercer mandato na política institucional;
  2. ser admitido no processo seletivo regular de um dos seguintes programas:
  • Harvard: todos os programas de mestrado das escolas de educação, saúde pública e de governo (Kennedy School).
  • Stanford: programas de mestrado em Learning Design and Technology ou International Comparative Education; joint degree MBA/MA em Educação.
  • Columbia: todos os programas de mestrado do Teachers College; School of International and Public Affairs (SIPA); Mailman School of Public Health; Journalism School; Graduate School of Architecture, Preservation, and Planning; School of Social Work.
  • Oxford: programa de mestrado em política pública na Blavatnik School of Government (BSG).
  • Universidade da California: programas de mestrado das escolas de saúde pública, educação, gestão pública e administração.

3. ser aceito no programa de bolsas do Arapyaú/Lemann;

4. aderir ao Programa de Talentos Lemann Fellowship, da Fundação Lemann, passando a contar com todos os benefícios oferecidos e comprometendo-se com as contrapartidas esperadas.

Para conhecer os programas, saber mais sobre processos seletivos e prazos de inscrição, acesse o site de cada escola:

OXFORD

Mestrado em Políticas Públicas (MPP) da Blavatnik School of Government (BSG).

Blavatnik School of Government.

COLUMBIA

Mestrado da School of International and Public Affairs (SIPA), do Teachers College (TC), da Mailman School of Public Health, da Graduate School of Journalism, da School of Social Work, e da Graduate School of Architecture, Preservation, and Planning (GSAPP).

HARVARD

Mestrado nas áreas de educação, saúde pública e administração pública.

STANFORD

Mestrado em Learning Design and Technology ou International Comparative Education na Escola de Educação ou o joint degree MBA/MA em Educação, no Lemann Center for Educational Entrepreneurship and Innovation in Brazil.

Lemann Center – Stanford Graduate School of Education

UCLA

Mestrado da Jonathan and Karin Fielding School of Public Health, da Graduate School of Education and Information Studies, da Meyer and Renee Luskin School of Public Affairs, da John E. Anderson Graduate School of Management e dos dual degrees dessas escolas com o mestrado em Latin American Studies.

UCLA Academics

Outras informações no site da Fundação Lemann.