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Falemos de sustentabilidade

Saindo do gueto ambientalista – o desafio de mobilizar as pessoas para a sustentabilidade já explica bem o tema central do debate promovido pelo IDS (Instituto Democracia e Sustentabilidade) e pelo Senac São Paulo no dia 4/10.

A conversa não é nova, mas segue intrigante. Como passar a mensagem que você quer passar com clareza? Como colocar questões cruciais como aquecimento global e economia de baixo carbono nas conversas do dia a dia?

Um dos responsáveis pela abertura das Olimpíadas 2016, que foi assistida por cerca de 3,5 bilhões de pessoas, Fernando Meirelles sugere que o sucesso da comunicação vem acompanhado da emoção. “A minha tese para mobilizar (as pessoas) é falar para o corpo inteiro, não só com [e para] a cabeça.” Mas como falar com as pessoas “da cabeça aos pés”, como diz Meirelles? Contando histórias e não usando o power point, explica. O que levou o público que o escutava às gargalhadas.

O cineasta, que diz não ser um especialista em questões ambientais, está trabalhando em uma série de dez episódios com a rede de TV britânica BBC. O tema? Mudanças climáticas. Com uma história que envolve cientistas, ambientalistas e ecoterroristas. E emoções.

Para Meirelles, a forma usada para falar de mudanças climáticas na cerimônia das Olimpíadas não foi a melhor. Diz que queria dar o recado sobre clima, ligando a questão das mudanças climáticas às florestas. E escolheu gráficos animados. “Eu fiz errado.” Acredita que poderia ter usado imagens mais compreensíveis do que os gráficos, que para serem compreendidos tinham um texto para ser lido pelos locutores de TV do mundo todo.

Mesmo se dizendo pessimista, o cineasta vem com uma lição otimista: a apologia do desastre não funciona para comunicar. “Tem de mostrar uma saída, uma possibilidade, um caminho.”

A partir da esquerda, Ricardo Guimarães, Tom Moore e Mõnica Gregori

A partir da esquerda, Ricardo Guimarães, Tom Moore e Mõnica Gregori

“Não existe uma receita pronta”, diz Mônica Gregori, da Agência Cause. Ela abordou os resultados da publicação “O fluxo das causas”, encomendada à agência pelo Instituto Arapyaú* para investigar o que funciona e o que não funciona na comunicação de causas. Mas há alguns caminhos sugeridos, aponta o estudo. Um deles é a clareza da mensagem, o outro é convidar o seu público para agir. No final da publicação, são listadas as “Recomendações criativas”.

Para Ricardo Guimarães, da Thymus Branding, “sem crítica, não há inovação. Sem inovação, não há sustentabilidade”. Ele classifica a maioria das empresas como “empresas-máquina”. Que tratam as pessoas não como pessoas, mas como um segmento: o consumidor, o investidor, o funcionário. “É no coração que precisamos chegar.”

A sustentabilidade tem um problema de imagem, diz Tom Moore, da Mandalah, ao expor o primeiro de três insights sobre como comunicar e engajar.  Ele conta a história da Nike, que não usa o termo sustentabilidade para um dos departamentos da empresa. No lugar, usa better world (mundo melhor).

Depois do problema de imagem, vem o que Moore chama de doing is the telling (algo como a história é o que você está fazendo, não o que você está dizendo). Ou seja, é preciso contar a verdade, ser transparente. E traz mais um exemplo: a Patagonia, fabricante norte-americana de roupas esportivas, que usa em sua comunicação fatos positivos e também os negativos. Como neste vídeo, em que a empresa conta como lida com o conceito de que a transparência é a nova inteligência (clear is the new clever).

O terceiro insight elencado por Moore é: modelos mentais guiam o comportamento. E o exemplo da vez é um dos vídeos que o Porta do Fundos fez para divulgar a igualdade de gênero, um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Para falar de sustentabilidade, e tendo as três ideias listadas acima em mente, não é preciso começar do zero, mas sim olhar para o que está sendo feito e agir a partir disso, por meio de parcerias, sugere. Como o vídeo do Porta dos Fundos.

Eduardo Giannetti, que estava na plateia e foi convidado para subir ao palco e participar do debate, fala da necessidade de uma alternativa atraente para o desafio “tremendo”, nas palavras dele, de comunicar a sustentabilidade. Para o economista, o desenvolvimento da sociedade precisa dar uma guinada e deixar de ter o crescimento como única medida de sucesso. “O PIB é o grande deus do nosso mundo”. O que é inaceitável, diz.

*O Arapyaú lançou, ano passado, o manual “Como falar sobre clima”, baseado em um estudo encomendado ao Instituto Frameworks. A publicação traz exemplos do que é entendido e o que não faz sentido para o público brasileiro quando falamos de mudanças climáticas.

Vamos falar sobre mudanças climáticas

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Comunicar mudanças climáticas de um jeito que sensibilize e mobilize as pessoas é um desafio e tanto, não é? Como falar desse tema para os brasileiros? Queremos conversar sobre isso com você. Venha conhecer os resultados de uma pesquisa inédita do FrameWorks Institute sobre mudanças climáticas e participar do workshop.

O FrameWorks é um instituto norte-americano especializado em criar narrativas acessíveis para temas complexos a partir de pesquisas culturais. Neste estudo, investigou como os brasileiros entendem as mudanças climáticas e propõe caminhos para esta comunicação desafiadora.

As vagas são limitadas. Confirme sua presença respondendo o formulário neste link.
Quando: 14 de agosto (sexta-feira), das 9h às 12h.
Onde: FGV – auditório Itaú. Avenida Nove de Julho, 2029.
Ainda há vagas!

 

 

Como anda a comunicação na era digital

Desde o ano passado, o Arapyaú tem olhado para o campo da comunicação com mais atenção. Notamos que há uma transformação gigantesca em curso, mudando a forma como a informação circula, a maneira como as pessoas e as organizações se comunicam e com impactos importantes para a temática da sustentabilidade.

Essa transformação foi impulsionada pela expansão dos computadores pessoais, a partir da década de 1990, pela disseminação da internet, nos anos 2000, e, mais recentemente, pelo surgimento das mídias sociais e pela adoção de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. O avanço da tecnologia está mudando de maneira inesperada a forma como as pessoas se informam e se comunicam. Email, Facebook, Twitter, Instagram, Whatsapp – plataformas que hoje conectam bilhões de cidadãos em todo o mundo e pelas quais a informação circula em tempo real não passavam de sonho futurista. A emergência das redes sociais pôs em xeque o modelo tradicional de produção e disseminação de informações. Saímos de um mundo no qual a comunicação tinha mão única – poucos emissores para uma multidão de receptores – para um mundo de comunicação em duas vias, onde qualquer um pode ser produtor e distribuidor de conteúdo.

A circulação de informações no mundo hiperconectado traz desafios inéditos para as organizações de comunicação (que tiveram seu modelo de negócios ameaçado), para instituições de todos os setores que precisam disseminar suas mensagens e para o cidadão interessado em ter voz ativa na sociedade.

Em muitas das nossas conversas de happy hour e reuniões no Arapyaú, o tema da comunicação surge como sendo essencialmente importante para fazer com que determinados assuntos cheguem às pessoas, que toque, que mobilize.

Começamos então com uma pesquisa dessas novas iniciativas e fomos nos aproximando de pessoas que estão com a mão na massa para entender de perto esse novo movimento. Nessas conversas, sentimos a necessidade de ter por escrito um documento que sintetizasse o que está acontecendo com a comunicação pós-internet. O resultado, você encontra aqui.

O Arapyaú tem como missão contribuir para articular a transição para uma sociedade mais justa, solidária e sustentável. Sua temática é a da sustentabilidade, entendida em seus pilares econômico, ambiental, social e político. A promoção de um Brasil mais sustentável envolve também um desafio de comunicação, na medida em que é preciso – e urgente – informar e mobilizar a sociedade para a relevância desse tema.

A nossa ideia é compartilhar esse texto com quem estiver interessado e continuamos na escuta para entender pra onde o mundo caminha.

Os novos (e muitos) caminhos da comunicação

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O jornalismo pode ser ativista? Dá pra fazer jornalismo investigativo com poucos recursos? As novas mídias estão matando ou transformando o jornalismo? E como elas podem ampliar o alcance de temas que os veículos tradicionais não cobrem – ou cobrem pouco? De onde virá a inovação na comunicação? Essas foram algumas das questões calorosamente debatidas na primeira happy hour do Arapyaú neste ano, que aconteceu no dia 24/02 no escritório do instituto em São Paulo, com transmissão via internet.

Seis convidados falaram dos seus projetos e das iniciativas de jornalismo digital ou mídia ativismo que colocaram de pé. A maioria, jornalistas que trabalharam em grandes jornais ou revistas pelo país e agora estão em escritórios menores, às vezes no computador de casa mesmo, ou em qualquer lugar onde a notícia está.

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Felipe Seligman – que trabalhou na Folha de S.Paulo por sete anos – começou apresentando o Brio, um site de grandes reportagens que em março publicará sua primeira matéria. A proposta do Brio (uma empresa) é provar que é possível ser lucrativo fazendo conteúdo aprofundado – e multimídia – na internet. Com textos escritos por jornalistas de todos os cantos do planeta, o Brio vai publicar e vender histórias aprofundadas, de assuntos que explicam a realidade, sobre os mais variados temas. Nos Estados Unidos, esse formato é chamado de longform. O Brio tem um modelo de negócios de start ups, comum entre as empresas de tecnologia, e surgiu de uma associação entre jornalistas com experiência em grandes veículos com desenvolvedores de internet – um casamento cada vez mais comum em iniciativas que buscam trabalhar comunicação de forma inovadora.

Natalia Viana foi a responsável pela apresentação da Agência Pública, que faz jornalismo investigativo sem fins lucrativos. A Pública funciona como uma agência de notícias, a exemplo da Reuters, mas sempre com grandes reportagens. Criada em 2011, nasceu com a missão de manter vivo e ampliar o alcance do jornalismo investigativo no Brasil, um formato de reportagens que vêm se tornando cada vez menos presente na imprensa tradicional. Entre seus “eixos investigativos” estão a crise urbana, a violência policial e a Amazônia. Em 2014, a Pública fez o Truco! uma checagem dos dados mais relevantes apresentados pelos presidenciáveis na campanha do ano passado. Em alguns casos, pediam explicações para sobre dados importantes aparentemente insustentáveis, e a isso chamaram de Truco. Cada checagem foi classificada com uma carta, de acordo com o resultado da apuração. O “Blefe” era uma informação falsa; “Não é bem assim”, quando era distorcida; “Tá certo, mas peraí”, quando estava correta, mas merecia ser contextualizada; e “Zap”, para uma informação correta e relevante. Foi uma maneira divertida de tratar de um assunto muito sério.

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A Ponte que nasceu há um ano e está com o site há seis meses, foi apresentada pela Carolina Trevisan. É um grupo de jornalistas que se dedicam a falar de justiça e direitos humanos. Suas reportagens falam de racismo, violência policial e direitos da mulher, por exemplo, sendo que o grupo tem se dedicado também a formar novos jornalistas nessas temáticas. Seu trabalho de maior destaque foi a cobertura da desocupação de um prédio na Avenida São João, em setembro do ano passado. A Ponte foi o único veículo de imprensa a acompanhar de dentro da ocupacão os embates entre a polícia e os sem-teto.

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O InfoAmazônia é um outro projeto inovador, de responsabilidade de Gustavo Faleiros, e tem como diferencial o “jornalismo de dados” – que é quando o foco do trabalho deixa de ser a busca pelo “furo” e passa a ser interpretar o que um certo fato pode realmente significar. Uma das formas mais interessantes de atuação do Inf consiste em articular comunidades para criar notícias usando tecnologia. O primeiro passo do trabalho é agregar dados brutos, às vezes distribuídos de graça pela NASA. Depois, reúnem informações sobre, por exemplo, o desmatamento na Amazônia, somam dados de trabalho escravo do Ministério do Trabalho e aí entra o trabalho de interpretação do que esses dados significam. A narrativa é construída com a utilização dessas informações brutas com a história das pessoas que vivem a realidade dos lugares. “A gente suja o sapato atrás da notícia, mas usando o GPS porque é muito mais fácil”, brincou Faleiros.

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Rafael Vilela, integrante da Mídia Ninja, apresentou o projeto A Conta da Água, que tem feito matérias profundas sobre o problema de seca no estado de São Paulo. Laura Capriglione, hoje na Ponte depois de 17 anos na Folha de S.Paulo, contou um pouco sobre como tem sido fazer essa cobertura numa “mídia alternativa”. O objetivo, segundo ela, é fazer grandes reportagens sem esquecer os valores clássicos do jornalismo: a apuração competente dos fatos, ouvir todos os envolvidos na história, a checagem de dados e a construção de narrativas envolventes.

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O papo dos convidados com a plateia mostrou que estamos passando por um momento muito intenso – e de grandes oportunidades – no universo da comunicação. Duas questões surgiram fortes no debate. Primeiro, a viabilidade financeira das iniciativas. Será possível sustentar o bom jornalismo com recursos da filantropia ou doações do público? Segundo, os limites entre o jornalismo e o ativismo. Como ampliar o alcance da cobertura de temas específicos sem ferir os princípios do jornalismo? Natalia Viana, por exemplo, ressaltou que a “causa” da Pública é o jornalismo, e não algum tema ou “bandeira”. Já Rafael Vilela vê jornalismo e mídia ativismo como complementares. E você, o que acha disso? Fique por perto que a conversa vai continuar.

Conheça:

http://brio.media/pt/

http://apublica.org/

http://ponte.org/

http://infoamazonia.org/pt/

https://medium.com/a-conta-da-agua

E se você não acompanhou a happy hour, assista o vídeo da transmissão:

Happy hour de comunicação: foi legal?

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A gente demorou um pouquinho pra contar como foi nossa última happy hour, mas, como dizem, antes tarde do que nunca! Bom, na quinta retrasada, 18/9, reunimos aqui no escritório de SP do Arapyaú, cerca de 40 simpáticas pessoas que estavam à procura de uma resposta: a sustentabilidade pode ser sexy?

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Até o Capitão Planeta apareceu na happy hour para contar sobre seus desafios de salvar o mundo

A conversa, que na verdade era mais uma provocação, tinha o objetivo de entender porque tantas vezes falamos sobre sustentabilidade de um jeito chato, cheio de jargões e que mais afastam as pessoas do que atraem. No fundo, o assunto interessa a muita gente, mas o jeito que se fala sobre ele é que não é muito “sexy”.

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O resultado da facilitação gráfica por Muriel Duarte e Gui Neves

Em post-its, os convidados escreveram perguntas sobre o tema, veja só algumas:

  1. como seria se a sustentabilidade fosse sexy?
  2. de que forma levar a sustentabilidade para a sociedade de forma atraente e tornar a coisa natural?
  3. como colocar a sociedade no clima?
  4. como acabar com o “onguês”?
  5. o que é sexy pra você?
  6. como falar com quem não é engajado?
  7. como não ter que falar sobre sustentabilidade, torná-la algo tão desejado que não precise ser expurgado?

Para ilustrar alguns casos em que alguma instituição conseguiu ser atraente e falar com vários públicos sem usar nenhum clichê, a Lisa Gunn, do Greenpeace, por exemplo, mostrou alguns vídeos produzidos por eles. O que mais arrancou risadas do pessoal foi esse aqui do tigre de sumatra cantando contra o uso do óleo de palma (que causa desmatamento) usado na linha Head&Shoulders, da P&G.

Outro famoso vídeo do Greenpeace (passou na televisão por muito tempo) foi o namoro das baleias, vcs lembram? Com uma brincadeira, a propaganda consegue atingir o objetivo (“cuidem das baleias”) e causar simpatia pelo tema, sem mostrar as tragédias e matanças às quais as baleias estão expostas.

O Coletivo Clímax Brasil abusou (no bom sentido, claro)! Eles têm como foco as mudanças climáticas, mas fazem isso de um jeito provocativo, que já começa pelo nome. Entre as 69 ações que eles devem fazer ainda este ano, houve a EtiquetAÊ  (que incentiva a sociedade a comer menos carne) e o Varal de Biquini (trocas públicas de roupa de banho para alertar sobre o aquecimento global). Na happy hour, o Pedro Telles e Raquel Rosenberg mostraram algumas fotos dos happenings deles.

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Quer dizer, se tem como falar de mudança do clima de um jeito sexy, é possível fazer muita coisa na comunicação para atrair a atenção do mundo, certo?

Todos que quiseram tiveram a chance de falar um pouquinho durante a happy hour. Não houve um palestrante apenas, mas a formação de um “aquário” (quatro cadeiras em que três pessoas se sentaram e quando um quarto ocupava a cadeira vazia, alguém se levantava para o outro poder ter vez de falar) e quem estava com o microfone na mão pôde falar sobre seus principais desafios e ansiedades com relação ao tema. Mas não foram só lamentos, é claro. Muita gente compartilhou o que vem dando certo nas suas organizações.

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Por fim, a nossa Júlia Pereira, sem ensaiar com ninguém, deixou uma reflexão: quando ela era criança e escoteira, tinha uma regra nos acampamentos que não permitia deixar o lugar pior do que estava antes do grupo chegar. “Nem uma fibra de sizal fora do lugar”, dizia o líder. Ela disse que isso foi de grande importância pra vida dela, que aprendeu a respeitar e cuidar da natureza, mas que no final das contas, quando voltava para casa, só contava para os pais sobre suas aventuras no mato, mas aprendeu, no coração, a respeitar a natureza, mas sem falar sobre isso.

Enfim, foi uma noite muito agradável pra todos nós e queremos fazer várias dessas horas felizes para conhecer mais pessoas que estão tentando transformar o Brasil em um lugar mais justo, e mais sexy também!

Ah! E sobre a pergunta lá de cima… Foi superlegal!

Sustentabilidade pode ser atraente…? Sim!

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Gostaríamos de agradecer a todos que estiveram presentes na nossa happy hour Comunicação e Sustentabilidade. Foi uma conversa inspiradora, divertida e sexy!

Também gostaríamos de uma avaliação de vocês sobre o evento. NESTE LINK tem uma pesquisa rápida e que vai nos ajudar muito a melhorar a cada happy hour. Leva dois minutinhos, então, por favor, respondam!

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Quem quiser compartilhar com os amigos, AQUI está o link do youtube com o registro de todo o papo.