Participação social nas cidades: conheça iniciativas que estão enfrentando esse desafio  

No dia 21 de agosto, especialistas se reuniram no salão nobre da FGV para discutir formas de inclusão da sociedade civil na tomada de decisões para a criação de cidades sustentáveis; 130 pessoas participaram do evento e 90 assistiram à transmissão online

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O debate de abertura do evento “Participação para Cidades Sustentáveis”, realizado pelo Instituto Arapyaú e pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getulio Vargas (GVces), centrou nas experiências de participação como meio para o desenvolvimento de capacidades locais e de políticas públicas efetivas. Cerca de 130 pessoas compareceram ao encontro, realizado na Fundação Getulio Vargas, e outras 90 acompanharam tudo pela internet.

Mario Monzoni, coordenador do GVces, e Rodrigo Agostinho, gerente executivo do Programa Cidades e Territórios, do Arapyaú, fizeram uma fala na abertura.

Romualdo Teixeira, do grupo gestor do Plano Sobral de Futuro, Luis Henrique Campos, do Instituto Votorantim, e Paula Schommer, professora e coordenadora do Grupo de Pesquisa Politeia, da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), abriram a roda de conversas, que teve a mediação de Sérgio Andrade, fundador da Agenda Pública.

Paula Schommer apresentou sua pesquisa sobre cooperação entre poder público e sociedade civil. Com uma abordagem didática, falou sobre seu estudo sobre Observatórios Sociais, organizações que sempre atuam em parceria com instituições locais, comparando-as a diferentes tipos de ponte. Um exemplo é a ponte movediça, inspirado no Observatório de Rondonópolis, cuja relação com o poder público municipal ora está aberta, ora está fechada, a depender de como se dá a articulação entre os atores.

Romualdo Teixeira contou sobre sua experiência como membro do grupo que atuou na construção do Plano Sobral de Futuro, elaborado em 2016 com apoio dos institutos Arapyaú e Votorantim, cuja proposta é fomentar o engajamento da população sobralense no desenho de um sonho comum para sua cidade. Após a fase de construção do plano, o grupo gestor tem trabalhado para acompanhar a implementação das ações previstas no documento, por meio de diálogo constante com o poder público e demais setores da sociedade local.

Luis Henrique Campos apresentou o Plano Três Lagoas Sustentável, que seguiu a metodologia Cidades Emergentes e Sustentáveis do BID, e contou com apoio do Instituto Votorantim e do Arapyaú para a frente de participação social. Três Lagoas é um dos municípios que mais cresce em termos demográficos e econômicos no Mato Grosso do Sul, o que permite uma oportunidade de pensar o planejamento da cidade no momento em que ela começa a se expandir. Para propor um plano de desenvolvimento urbano, foi preciso, antes de tudo, fazer um diagnóstico da cidade e uma pesquisa com a população abrangentes, para então propor soluções que estejam no próprio poder público ou na população.

A segunda parte do encontro, sob a mediação de Daniela Gomes, do GVces, contou com a participação de Gabriela de Brelàz, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paula Galeano, da Fundação Tide Setúbal, e Henrique Silveira, da Casa Fluminense, que discutiram os desafios para engajamento da sociedade e estratégias de diálogo com políticas públicas.

Gabriela de Brelàz abriu a discussão com provocações ao público, afirmando que o modelo que temos hoje de participação política não é eficiente e que os estudos existentes sobre o tema chegam a conclusões parecidas – de que participação tem poucos resultados. Gabriela defendeu a regulamentação do lobby e a experimentação e criação de pilotos de novos modelos de participação popular que satisfaçam as necessidades de diálogo – “Isso é participação política? É o que gostaríamos? ”.

Henrique Silveira compartilhou sua experiência bem-sucedida de trabalhar com organizações sociais de municípios da região metropolitana do Rio de Janeiro. A Casa Fluminense, que nasceu em 2013 com uma agenda de pensar o futuro do Rio após as Olimpíadas de 2016 – a Agenda Rio 2017 –, vive hoje um processo de mobilização e preparação da sociedade civil para o fortalecimento da cultura de monitoramento, ao passo que se tem um cenário regional de crise econômica e de segurança pública. Como pautar a implementação de políticas públicas que atendam às diversas demandas locais a um estado incapacitado de responder?

Em seguida, saindo do escopo territorial amplo, Paula Galeano, superintendente da Fundação Tide Setúbal, contou sobre a atuação da entidade no bairro Jardim Lapenna, distrito de São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo. A fundação está presente na região desde 2010 e no momento está apoiando a construção de um Plano de Bairro – escala do Plano Diretor que possibilita a participação comunitária –, que afetará a vida de 12 mil pessoas, pautado pelos próprios moradores. A principal estratégia de atuação da fundação é buscar ser parceira de várias organizações que já atuam no território e, a partir daí, construir “de baixo para cima”. Segundo Paula, as periferias “têm características próprias e precisam ser tratadas de forma única”.

O encontro reafirmou a importância de haver iniciativas que levem cidadãos a espaços de participação política, e muito foi discutido sobre como (re)conquistar a confiança das pessoas. Resposta mágica não há, mas todos foram unânimes em afirmar que só com a presença da sociedade na política – e com uma participação de qualidade – será possível tornar nossas cidades mais justas, resilientes e sustentáveis.

Quer saber mais como foi esse encontro? Assista ao debate na íntegra e acompanhe nossa página no Facebook. E veja abaixo mais fotos do nosso evento!

DSC_8249130 pessoas compareceram ao evento, e outras 90 assistiram à transmissão online

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Da dir. para esq., Gabriela de Brelàz (Unifesp), Paula Galeano (Fundação Tide Setúbal) e Andrea Apponi (Instituto Arapyaú), durante o evento
DSC_8207Mario Monzoni, do GVces, no início do encontro

DSC_8647Rodrigo Agostinho, do Instituto Arapyaú, fala durante a abertura do evento

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Luis Henrique Campos (Instituto Votorantim), Romualdo Teixeira (Sobral de Futuro), Paula Schommer (Udesc) e Sérgio Andrade (mediador), na primeira parte do encontro, que abordou as agendas municipais

Romualdo_sorrindo_bRomualdo Teixeira, coordenador executivo do grupo gestor do programa Sobral de Futuro

DSC_8383Paula Schommer, professora de Administração Pública na Universidade do Estado de Santa Catarina

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Paula Schommer durante  debate sobre agendas municipaisDSC_8440

Luis Henrique Campos, coordenador do Programa de Apoio à Gestão Pública do Instituto Votorantim, falou sobre o programa Três Lagoas Sustentável

DSC_8446O cientista político Sérgio Andrade fez a mediação do debate da primeira parte do evento

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Os painelistas da primeira parte do encontro – “Agendas municipaisa participação como meio para o desenvolvimento de capacidades locais e de políticas públicas efetivas”

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DSC_8590Na segunda parte do evento, participaram Daniela Gomes (GVces, como mediadora), Henrique Silveira (Casa Fluminense), Gabriela de Brelàz (Unifesp) e Paula Galeano (Fundação Tide Setúbal)

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Gabriela de Brelàz, professora da Escola Paulista de Política, Economia e Negócios (Eppen), da Unifesp

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Henrique Silveira, coordenador executivo da Casa Fluminense, espaço para debate e construção de políticas públicas

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Paula Galeano, superintendente da Fundação Tide Setúbal, organização que atua em temas como o enfrentamento das desigualdades socioespaciais nas grandes cidades

DSC_8450 Daniela Gomes, coordenadora do Programa de Desenvolvimento Local do GVces

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Os painelistas promoveram uma rica conversa sobre os desafios para o engajamento da sociedade e estratégias de diálogo com políticas públicas
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DSC_8564DSC_8657_bAgradecemos ao público e às equipes do Programa Cidades e Territórios, do Arapyaú, e do GVces, que tornaram esse encontro possível

 

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