Como construir um Brasil doador?

Na happy hour de abril, discutimos cultura de doação e captação de recursos. O papo foi animadíssimo, porque o tema é quente, atual e necessário. Calcula-se que existam hoje no Brasil, numa estimativa conservadora, pelo menos 290 mil organizações da sociedade civil. E a atuação dessas organizações depende, em grande parte, do sucesso das mesmas em captar recursos para investir nas causas em que atuam.
Como estimular pessoas e empresas a praticar um ato tão nobre, que é doar? E como capacitar as pessoas que captam recursos para as organizações e/ou causas, nessa tarefa tão essencial ao terceiro setor?

Mais ou menos um ano atrás, durante uma oficina de cocriação para debater o tema promovida pelo Instituto Arapyaú com especialistas e lideranças de dezenas de organizações, surgiu a ideia de criar uma plataforma para divulgação e troca de conhecimento sobre cultura de doação e captação de recursos. E também um fundo para investir em iniciativas voltadas ao tema.

João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR e coordenador da Captamos

Ao fundo, João Paulo Vergueiro fala durante a happy hour

Nasciam assim a Captamos (www.captamos.org.br), que será oficialmente lançada em agosto, e o Fundo BIS, que investirá na promoção da cultura de doação no país. Ambas partem de uma mesma premissa: ser uma iniciativa do campo, sem um dono. O Fundo BIS é coordenado pelo GIFE e gerido pelo JP Morgan, e terá um comitê executivo, para orientar os seus investimentos. A Captamos é coordenada pela ABCR (Associação Brasileira de Captação de Recursos) e responde a um conselho de governança.

A Captamos é uma plataforma para divulgação e compartilhamento de conhecimento que está em fase de testes, com cerca de 110 “usuários pioneiros”, que testam as ferramentas e dão feedback aos gestores do projeto. A ideia é oferecer conteúdo de qualidade, atualizado e gratuito, como cursos, artigos, notícias, dicas e perguntas & respostas.

O Fundo BIS não apoiará projetos especificamente, mas iniciativas que fortaleçam a cultura de doação, como pesquisa e produção de dados, campanhas, mudanças legais e regulatórias e projetos ligados à inovação nesse campo. E por que o nome Fundo BIS? “Para que a doação seja repetida”, conta Renata Biselli, advisor em filantropia no JP Morgan e mobilizadora do Fundo BIS e uma das convidadas para a conversa.

“Queremos uma sociedade doadora, em que as pessoas se responsabilizem pelas doações, pelos financiamentos e pelo trabalho voluntário. (Temos de) buscar uma sociedade mais preparada, mais estruturada, para buscar recursos para as suas iniciativas. E mais solidária e doadora, também”, disse João Paulo Vergueiro, diretor-executivo da ABCR e coordenador da Captamos, também nosso convidado para o bate-papo.

Para Renata, “pessoas não doam e nunca doaram porque não sabem como fazer”. Entre dúvidas e certezas, uma unanimidade: é preciso promover a troca do conhecimento e das experiências, sejam elas bem-sucedidas ou não. Porque é uma relação de ganha-ganha. Nas palavras do diretor-executivo do Arapyaú, Marcelo Furtado: “No Brasil, olhamos muito para a concorrência, e pouco para a cooperação, que amplia o tamanho da pizza”. Ele sugere, por exemplo, que as organizações troquem informações sobre doadores. Sob essa ótica, todas as organizações saem ganhando ao não competir, mas sim somar os esforços para aumentar os recursos disponíveis. Não há uma receita pronta, mas todos concordam que é preciso saber pedir. E ter coragem para fazê-lo. O “não” está garantido, mas é preciso ir atrás do “sim”.

Mas, para que muitos “sim” sejam escutados, cabe às organizações mostrar o seu trabalho, possibilitando uma relação de confiança entre quem capta e quem doa. “Quem capta bem, comunica bem”, apontou Marcelo Furtado, lembrando a importância da transparência. Afinal, a cultura de doação é uma cultura de confiança.

Quer saber mais? Então dá uma olhada no vídeo, que reproduz toda a conversa.

 

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