Encontro de Captação de Recurso e Cultura de Doação

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Diretamente do site do GIFE, conheça o projeto Cultura de Doação e Captação de Recursos, uma das prioridades do Arapyaú para 2015:

“Para colocar luz numa temática tão essencial para o terceiro setor, a Fundação Cecília Souto Vidigal, a Open Society Foundations e o Instituto Arapyaú acabam de lançar um projeto que visa incentivar a cultura de doação e captação de recursos no Brasil.

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A ideia, segundo Julia Pereira, gerente da área de lideranças do Instituto Arapyaú, é gerar conhecimento sobre o assunto, sistematizar experiências para trazer mais inteligência ao campo e compartilhar com outras organizações. “Queremos que isso vire um movimento mesmo. A proposta é fomentar o tema para que outros olhem e decidam participar e investir também. Para nós, fortalecer a cultura da doação é também fortalecer a democracia, pois quem doa está exercendo o seu poder de escolher quem quer apoiar e ajudar, assim, na transformação que quer ver acontecer”, comenta.

Andre Degenszajn, secretário-geral do GIFE, destaca que a agenda da cultura da doação, assim como para seus associados, se tornou estratégica para o GIFE, justamente por ser um campo fundamental de atuação para todos que querem promover mudanças sociais no país e também devido a um baixo investimento na área.

Não temos ainda dados precisos, mas percebe-se que se doa muito pouco no Brasil perto do potencial do que poderia ser doado. Assim, é necessário trazer mais atores para este campo. Queremos mobilizar novos recursos individuais para ampliar os recursos disponíveis no campo filantrópico e também criar uma cultura de doação entre investidores sociais. Hoje, as organizações são mais equipadas para lidar com a captação, contam com consultores e metodologia para isso”, explica Andre, lembrando que, quando se fala em “cultura de doação”, engloba-se desde questões regulatórias até estratégias de investimento institucional.

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De acordo com a gerente do Instituto Arapyaú, não há atualmente um ambiente propício para que esse campo se fortaleça, com legislações ainda incipientes ou que são mal aproveitadas por falta de informação. “Além disso, as pessoas não sabem pedir e nem criar um relacionamento com quem apoia. E, como captador de recursos, eu tenho que ter uma boa narrativa, saber o que engaja e criar um processo de regularidade e de fidelização”, explica Julia.

Ações práticas

A primeira ação do grupo foi a realização de um mapeamento de organizações, pessoas e projetos que estão influenciando este tema no Brasil. O material deve ser lançado até o final de maio. A partir desse mapa, os representantes das iniciativas foram convidados a participar de um encontro de cocriação, realizado em 29 de abril, em São Paulo.

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O objetivo foi unir pessoas de universos diferentes, a fim de garantir uma diversidade de olhares no grupo, para levantar os desafios e oportunidades no campo e criar, em conjunto, soluções, propostas ou melhorar iniciativas que já existem trazendo uma visão ampla de todos. Além, é claro, de conectar e fortalecer redes e trazer mais energia e força para a área”, comenta Julia.

O encontro contou com a presença de cerca de 70 pessoas, entre diversos atores interessados nesta agenda, como representantes de pequenas entidades, grandes fundações, especialistas, consultores, organizações dedicadas ao desenvolvimento institucional, empresas de tecnologia, entre outros perfis. O GIFE esteve presente também no encontro e pode participar das diversas discussões.

Durante o encontro e nas diversas conversas fomentadas, os participantes propuseram uma série de iniciativas a serem mobilizadas ao longo do ano. Entre as ideias lançadas, está a sugestão da criação de uma plataforma de ensino a distância para formação em ampla escala no tema de captação de recursos e também uma certificação para as organizações do terceiro setor, feita com base em indicadores de transparência e governança, a fim de trazer mais credibilidade às entidades e ter uma validação para potenciais doadores.

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Outro resultado do encontro foi a proposta de criação de um fundo, com governança independente, no qual as organizações seriam estimuladas a aportar 1% do seu orçamento para financiar iniciativas de fortalecimento do campo. Isso significaria apoiar ações como o lançamento de uma pesquisa para identificar quanto se doa no país, por exemplo, ou um estudo de inovações regulatórias que facilitassem o ambiente de doação e até mesmo campanhas de comunicação para aumentar a participação da sociedade no tema.

O que percebemos é que muitos que doam não perceberam ainda como é importante também apoiar não só projetos, porque as entidades demandam autonomia financeira, e isso só acontece por meio de doação. Por isso, queremos estimular outras organizações financiadoras a participarem e fortalecerem o campo”, comenta Julia.

O secretário-geral do GIFE destaca que, uma iniciativa como esta do fundo, traz dois efeitos: a criação de fato de recursos para projetos de interesse comum, assim com o estabelecimento de um campo de discussão para movimentar ainda mais o tema. “Só para se ter ideia, se todos os associados do GIFE direcionassem 1% de seus recursos para este fundo, ele teria algo em torno de R$ 30 milhões”, ressalta.

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O GIFE dará início a este processo de incubação da proposta, traçando o contorno inicial do projeto e também apresentando para possíveis interessados, a fim de construir uma base de apoiadores iniciais.

A gerente do Instituto Arapyaú ressalta que o encontro foi só o primeiro passo para a construção de novas ideias. A proposta será estimular e mobilizar o grupo para que as ações possam ser de fato implementadas. “Queremos ativar estas iniciativas colaborativas, buscando apoio para elas, por meio também de uma conversa maior com grandes financiadores da área”, explica Julia.” “

COMENTÁRIOS

  1. apa- associação de proteção animal

    Verdadeiramente, doa-se muito pouco no Brasil! Quem necessita dos recursos não sabe pedir, nem a quem pedir, já que não há conhecimento, assessoria na elaboração de projetos de capitação de recursos. É tudo muito dificil e complicado e quem faz um trabalho serio e eficiente continua sempre no vermelho e no desespero, como nós.
    Não há incentivo fiscal para os doadores e sabe-se que ninguém doa de graça. Não há estimulo para a doação, já que não é cultural se dar nada em nosso país sem uma contrapartida.
    Essa falta de doaçao, de parceria, de responsabilidade social, abate quem faz o bem.
    Parabens pela iniciativa e pelo empenho nessa missao tão dificil: mudar uma cultura retrograda e desestimuladora.
    Adelina Lippi Martins

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