Escola em Uruçuca é pioneira no país

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A primeira comunidade de aprendizagem de educação infantil do Brasil fica em Serra Grande (na Bahia) e está transformando a vida de crianças e adultos. Esta matéria foi publicada no site do Instituto Natura e resumido aqui. Para a história completa, clique aqui.

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A Escola de Educação Infantil Eva Santos fica na vila de Serra Grande, distrito do município de Uruçuca, sul da Bahia. Destino turístico, o tranquilo povoado é cercado de natureza deslumbrante: praias, parques naturais, trilhas e cachoeiras em meio à Mata Atlântica.

Até o ano passado, no entanto, a escola nunca tinha levado seus alunos para um passeio pelos arredores. A partir do segundo semestre de 2014, isso mudou: organizou saídas à praia, ao parque do Conduru e a diferentes bairros da comunidade. O que motivou essas mudanças? A oportunidade de sonhar uma nova escola.

Em agosto, a escola Eva Santos tomou a decisão de transformar-se em uma Comunidade de Aprendizagem. Junto com essa decisão, vários sonhos apareceram: mais saídas e passeios, com participação dos pais, qualificação de professores, formação de familiares, novos brinquedos, cabana, um freezer novo.

As Comunidades de Aprendizagem

Comunidades de Aprendizagem é uma proposta de transformação social e cultural com a participação de todas as pessoas que estão envolvidas com a escola: educadores, gestores, familiares e comunidade de entorno. A proposta está presente no ensino fundamental para crianças e para pessoas adultas.

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A Eva Santos é a primeira escola de educação infantil a transformar-se em Comunidade de Aprendizagem no Brasil. A diretora Liziania Madureira participou do IV Encontro Internacional de Comunidade de Aprendizagem, em São Paulo, em 2014, onde pôde conhecer mais profundamente a proposta e as experiências de escolas da Espanha e do Rio de Janeiro. “Eu pensava: ‘Isto é tudo que estamos querendo fazer na escola, agora mais organizado, estruturado’”, conta.

Em novembro passado, a escola começou a implementar duas Atuações Educativas de Êxito: Grupos Interativos (de linguagem oral e matemática), para as duas turmas de 5 anos, e Formação de Familiares, ambas uma vez por semana. Apesar do pouco tempo, já se observam mudanças positivas.

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As gestoras consideram que melhorou a convivência e aumentou a solidariedade entre os alunos. Elas destacam, também, uma mudança na relação entre professoras e alunos. Maiane Barbosa, professora do grupo da tarde, vê resultados na aprendizagem dos alunos e em sua própria atuação profissional. “Eles estão desenvolvendo mais a oralidade. Tem casos de crianças que não participavam e não se expressavam claramente e agora já podemos entender o que dizem, perderam a vergonha.”

Em 2015, o plano é fazer os grupos em todas as turmas da escola. O desafio, aponta Luciana, será mobilizar e manter os voluntários.

Formação de Familiares

Uma dos muitos sonhos da Eva Santos é a formação de familiares. Conforme solicitado pelas participantes, o conteúdo da formação é alfabetização. A formadora é a pedagoga Márcia de Oliveira, voluntária da comunidade especializada no tema.

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Renilda Santos, 47, mãe do aluno Marlon, conta que cresceu na zona rural, em uma família numerosa, e teve que deixar para trás os estudos, para trabalhar e ajudar os pais. “Eu entrei no colégio grande já. Estudei até a quarta série. Mas quarta fraca mesmo, fraca, fraca”, diz. Para ela, poder estudar enquanto o filho está na escola é uma grande vantagem, pois em outros horários não teria com quem deixá-lo. E apesar das dificuldades, de sentir às vezes que “a mente está fechada”, está determinada a aprender.

Nerivalda dos Santos, 51 anos, se emociona ao falar das oportunidades de trabalho perdidas por não ser alfabetizada. “Agora estão me ensinando como se eu fosse uma criança. Hoje eu sinto que vou aprender. Estou achando que estou me desenvolvendo melhor, apesar dos poucos dias que estou aqui.”

Após a aula, elas seguem para a sala da turma de 5 anos de período integral, para participar como voluntárias nos Grupos Interativos. Segundo elas, é ótimo porque reforçam a alfabetização e aprendem junto com as crianças. “É bom que vai abrindo a mente”, diz Renilda, rindo.

Compromisso com a transformação

O grande desafio, segundo as gestoras, é mobilizar mais a comunidade. “Está começando a acontecer, mas é pouco ainda. É uma mudança de cultura mesmo. A gente também não se abria, só chamava os pais pra informar, não chamava pra participar”, observa Liziania.

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Apesar dos desafios, ela avalia que a escola já avançou muito. “A gente está vendo as crianças se envolvendo, os professores, os auxiliares. A relação entre o pessoal da equipe da escola melhorou muito, especialmente do meio do ano pra cá. Aumentou o diálogo, está mais unida. Está valendo a pena”, conclui.

A transformação da escola Eva Santos em uma comunidade de aprendizagem foi possível graças à articulação do Instituto Natura e do Instituto Arapyaú com a Secretaria de Educação de Uruçuca.

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Para saber mais sobre a projeto, clique aqui:

http://www.comunidadedeaprendizagem.com/

 

 

 

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